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Geeking out Re: Stacks, Bon Iver

Re: Stacks
When asked about the purpose of “Re” in the song title, Justin Vernon replied:
It’s ‘Regarding.’ People use it in letters and emails. It’s about pointing towards an idea, to amplify that this song is about the stacks. I mean, every song title does that in a way, but I just really wanted to point it out: this song isn’t the stacks, it’s about the stacks.
This my excavation and today is Qumran

Qumran is an archeological site in the West Bank, and is the closest settlement to where the Dead Sea scrolls were found. Justin is saying that this is his

Justin stated in an interview in 2008:
It’s referring to the excavations where they found the Dead Sea Scrolls. When they found them it changed the whole course of Christianity, whether people wanted to know it or not. A lot of people chose to ignore it, a lot of people decided to run with it, and for many people it destroyed their faith, so I think I was just looking at it as a metaphor for whatever happens after that is new shit.

Everything that happens is from now on
This is pouring rain
This is paralyzed


Everything that happened after he realized the truth of faith referenced to “Qumran” is not what he imagined it to be. He feels let down and like he will never be able to get out of the bad mind frame he is in.

I keep throwing it down two hundred at a time
The stacks being discussed are poker chips, and are being used as an analogy to emotion and love. Here, Justin is discussing how he keeps throwing more and more of his love “down” into whatever he is into. The somber tone shows that it just isn’t working.

It's hard to find it when you knew it
When your money's gone
And you're drunk as hell

These lines seem to be pointing toward a hopelessness associated with the ground breaking discoveries at Vernon’s aforementioned “Qumran”. He states that it’s hard to find it (love, happiness, etc.) when you’ve already “known” it (or at least thought you did). Because if what you had wasn’t already it, then what even was it? His plight isn’t helped by the fact that his resources are gone, and he’s fairly inebriated…

On your back with your racks
And the stacks as your load
In the back and the racks and the stacks are your load
In the back with your racks
And you're unstacking your load

Stacks = Your chips for any form of gambling. In this sense, it represents your lifeblood and energy you have to commit.
Rack = This is the part that I don't think the thread has very clearly dealt (no pun intended) with to this point. When you go to a casino and have a lot of money to put into your night, you often receive a "rack" of chips to make it easier to carry them around. I would interpret the notion of a "rack" in Justin's song to mean that absolutely everything's been invested into this game (both with love and his previous bands).

So when I look at the chorus, if your "rack" ends up being your "stack" it implies that you've lost absolutely everything except the carrying vessel. It's in that sense that Justin felt stripped of everything he had to offer except his physical body. That's his "load" or burden.

I've twisting to the sun I needed to replace
Changing the lightbulb for the internal universe he has created for himself. His “sun” stands for the surface mental happiness he has tried created but has no substance and has blown.
The fountain in the front yard is rusted out
Love is not flowing anymore abundantly like a fountain. His world is not mansion-like where fountains are usually found. Imagery is used to create a cold winter like atmosphere.
All my love was down in a frozen ground
Love is dead like frozen water in the ground.

There's a black crow sitting across from me;
His wiry legs are crossed
And he's dangling my keys he even fakes a toss

The black crow is depression; the depression Justin is going through at this time. The keys are the gateway to a better and happier life- but the crow holds onto them and does not throw them back. He fakes a toss- granting a glimmer of hope that things will get better- but doesn’t follow through.
Whatever could it be that has brought me to this loss?
How did he get here? Where did he go so wrong that he cannot get out of this hole?

On your back with your racks
And the stacks as your load
In the back and the racks and the stacks of your load
In the back with your racks
And you're unstacking your load

This is not the sound of a new man
Or crispy realization
It's the sound of the unlocking and the lift away

He's not experiencing (nor can any of us) experience a full catharsis. We are never free to completely leave the past behind and start anew. We'll always carry some of that baggage and there's always the chance of relapse.
Your love will be
Safe with me

Will it?

Livro de horas – Miguel Torga

Aqui, diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.

Me confesso
possesso
das virtudes teologais,
que são três,e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.

Me confesso
o dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo andanças
do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.

Me confesso de ser homem.
De ser um anjo caído
do tal céu que Deus governa;
de ser um monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.

Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!

Yoko Ono – Will I

https://soundcloud.com/yokoono/ono-will-i

Touch, love, you
Touch, love, you

Will I miss the sky?
Will I miss the clouds?
Will I miss the ocean?
Will I miss the bay?

Will I miss the sunrise?
Will I miss the moon?
Will I miss the mountains?
Will I miss the trees?

Will I miss the city lights?
Will I miss the snow?
Will I miss the laughter?
Will I miss the jokes?

Will I miss touch?
Will I miss love?
Will I miss you?
Will I? Will I?

Will I? Will I?
Will I? Will I?
Will I?
Will I?

O Desespero da Piedade – Vinicius de Moraes

http://www.youtube.com/watch?v=NP4p6nY4YIc

Meu senhor, tende piedade dos que andam de bonde
E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos…
Mas tende piedade também dos que andam de automóvel
Quando enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.

Tende piedade das pequenas famílias suburbanas
E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos
Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam
E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina.

Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta
Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina
Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte
E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.

Tende imensa piedade dos músicos dos cafés e casas de chá
Que são virtuoses da própria tristeza e solidão
Mas tende piedade também dos que buscam silêncio
E súbito se abate sobre eles uma ária da Tosca.

Não esqueçais também em vossa piedade os pobres que enriqueceram
E para quem o suicídio ainda é a mais doce solução
Mas tende realmente piedade dos ricos que empobreceram
E tornam-se heróicos e à santa pobreza dão um ar de grandeza.

Tende infinita piedade dos vendedores de passarinhos
Que em suas alminhas claras deixam a lágrima e a incompreensão
E tende piedade também, menor embora, dos vendedores de balcão
Que amam as freguesas e saem de noite, quem sabe onde vão…

Tende piedade dos barbeiros em geral, e dos cabeleireiros
Que se efeminam por profissão mas que são humildes nas suas carícias
Mas tende mais piedade ainda dos que cortam o cabelo:
Que espera, que angústia, que indigno, meu Deus!

Tende piedade dos sapateiros e caixeiros de sapataria
Que lembram madalenas arrependidas pedindo piedade pelos sapatos
Mas lembrai-vos também dos que se calçam de novo
Nada pior que um sapato apertado, Senhor Deus.

Tende piedade dos homens úteis como os dentistas
Que sofrem de utilidade e vivem para fazer sofrer
Mas tende mais piedade dos veterinários e práticos de farmácia
Que muito eles gostariam de ser médicos, Senhor.

Tende piedade dos homens públicos e em particular dos políticos
Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos de mão
Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes
Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também.

E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tende píedade das mulheres
Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres
Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres
Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!

Tende piedade da moça feia que serve na vida
De casa, comida e roupa lavada da moça bonita
Mas tende mais piedade ainda da moça bonita
Que o homem molesta – que o homem não presta, não presta, meu Deus!

Tende piedade das moças pequenas das ruas transversais
Que de apoio na vida só têm Santa Janela da Consolação
E sonham exaltadas nos quartos humildes
Os olhos perdidos e o seio na mão.

Tende piedade da mulher no primeiro coito
Onde se cria a primeira alegria da Criação
E onde se consuma a tragédia dos anjos
E onde a morte encontra a vida em desintegração.

Tende piedade da mulher no instante do parto
Onde ela é como a água explodindo em convulsão
Onde ela é como a terra vomitando cólera
Onde ela é como a lua parindo desilusão.

Tende piedade das mulheres chamadas desquitadas
Porque nelas se refaz misteriosamente a virgindade
Mas tende piedade também das mulheres casadas
Que se sacrificam e se simplificam a troco de nada.

Tende piedade, Senhor, das mulheres chamadas vagabundas
Que são desgraçadas e são exploradas e são infecundas
Mas que vendem barato muito instante de esquecimento
E em paga o homem mata com a navalha, com o fogo, com o veneno.

Tende piedade, Senhor, das primeiras namoradas
De corpo hermético e coração patético
Que saem à rua felizes mas que sempre entram desgraçada
Que se crêem vestidas mas que em verdade vivem nuas.

Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade.

Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.

Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e de sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso
Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.

Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.

Tende piedade, Senhor, das santas mulheres
Dos meninos velhos, dos homens humilhados – sede enfim
Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim