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	<title>Hugo Gameiro &#187; mário de sá carneiro</title>
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		<title>Serradura &#8211; Mário de Sá Carneiro</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 13:31:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>hugogameiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[mário de sá carneiro]]></category>

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		<description><![CDATA[A minha vida sentou-se E não há quem a levante, Que desde o Poente ao Levante A minha vida fartou-se. E ei-la, a mona, lá está, Estendida, a perna traçada, No infindável sofá Da minha Alma estofada. Pois é assim: &#8230; <a href="http://www.hugogameiro.com/serradura-mario-de-sa-carneiro/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A minha vida sentou-se<br />
E não há quem a levante,<br />
Que desde o Poente ao Levante<br />
A minha vida fartou-se.</p>
<p>E ei-la, a mona, lá está,<br />
Estendida, a perna traçada,<br />
No infindável sofá<br />
Da minha Alma estofada.</p>
<p>Pois é assim: a minh&#8217;Alma<br />
Outrora a sonhar de Rússias,<br />
Espapaçou-se de calma,<br />
E hoje sonha só pelúcias.</p>
<p>Vai aos Cafés, pede um bock,<br />
Lê o &#8220;Matin&#8221; de castigo,<br />
E não há nenhum remoque<br />
Que a regresse ao Oiro antigo!</p>
<p>Dentro de mim é um fardo<br />
Que não pesa, mas que maça:<br />
O zumbido dum moscardo,<br />
Ou comichão que não passa.</p>
<p>Folhetim da &#8220;Capital&#8221;<br />
Pelo nosso Júlio Dantas -<br />
Ou qualquer coisa entre tantas<br />
Duma antipatia igual&#8230;</p>
<p>O raio já bebe vinho,<br />
Coisa que nunca fazia,<br />
E fuma o seu cigarrinho<br />
Em plena burocracia!&#8230;</p>
<p>Qualquer dia, pela certa,<br />
Quando eu mal me precate,<br />
É capaz dum disparate,<br />
Se encontra a porta aberta&#8230;</p>
<p>Isto assim não pode ser&#8230;<br />
Mas como achar um remédio?<br />
- Pra acabar este intermédio<br />
Lembrei-me de endoidecer:</p>
<p>O que era fácil &#8211; partindo<br />
Os móveis do meu hotel,<br />
Ou para a rua saindo<br />
De barrete de papel</p>
<p>A gritar &#8220;Viva a Alemanha&#8221;&#8230;<br />
Mas a minh&#8217;Alma, em verdade,<br />
Não merece tal façanha,<br />
Tal prova de lealdade&#8230;</p>
<p>Vou deixá-la &#8211; decidido -<br />
No lavabo dum Café,<br />
Como um anel esquecido.<br />
É um fim mais raffiné.</p>
<p><strong>Serradura - Mário de Sá Carneiro</strong></p>
<p><em>Paris &#8211; Setembro 1915</em></p>
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